Violência Urbana e a transição civilizacional

A violência urbana não é determinada pela pobreza. O percentual de pobres que optam pela carreira criminosa é baixo: menos de 1%. A tese que busca associar á criminalidade com a miséria é desmistificada pela antropóloga carioca Alba Zaluar. A mesma autora destaca que as maiores taxas de morte violenta ocorrem nos estados mais desenvolvidos economicamente, como Rio de Janeiro, São Paulo, Mato Grosso, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Goiás, Tocantins e Distrito Federal.

O problema do crime não pode ser apenas explicado por causas econômicas – se a pobreza fosse o elemento que determinasse a criminalidade, todos os pobres seriam assaltantes, homicidas etc. Mas é evidente que está não é a realidade. Para Alba Zaluar a evolução da pobreza nas últimas décadas não sustenta a tese que explica o aumento da criminalidade pela miséria. Portanto, a complexidade da questão não pode ser reduzida a apenas uma causa isolada.

Ademais, a situação é multicasual e acaba com a hegemonia dos ditames do politicamente-correto, isto é, com a linguagem manipuladora da Nova Ordem Mundial e suas imposições ideológicas nesta fase de transição civilizacional.

Crise do Mundo Contemporâneo, enfraquecimento do Estado e da família.

De acordo com Francis Fukuyama, os Estados do terceiro mundo são incapazes de criar uma infra-estrutura mínima que possibilite uma vida social mais sadia e equilibrada. Para o filósofo do neoconservadorismo estadunidense o Estado é ineficaz e não cumpre as suas funções essências: saúde, segurança, educação. Junto com o enfraquecimento do Estado, assistimos a uma crise das instituições socializadoras, como a família, as igrejas, a escola.

Em suma: estas instituições tradicionais que durante longo tempo exerceram uma influência decisiva na conduta dos indivíduos e das coletividades encontram-se hoje fragilizadas. Para tanto, o crescimento vertiginoso da criminalidade, se relaciona com o enfraquecimento das instituições sociais, responsáveis pela transmissão de valores e padrões de conduta.

O triunfo do homo-economicus, consumista e fugaz, do homem-massa nas palavras de Ortega y Gasset, contribui para o fortalecimento do individualismo e na criação de um ambiente social extremamente competitivo onde o outro é um inimigo a ser combatido e eliminado na luta pela sobrevivência.

Bibliografia: FUKUYAMA, Francis. Construção de Estados. Rio de Janeiro: Rocco, 2005.
ORTEGA Y GASSET, José. A Rebelião das Massas. Rio de Janeiro: Livro Ibero Americano, 1971
ZALUAR, Alba. Violência: questão social ou institucional?.In: Oliveira, Nilson Vieira (org). Insegurança Pública – reflexões sobre a criminalidade e a violência urbana. São Paulo. Nova Alexandria, 2002 , p.75/85

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